Não quero poesia quadrada, abstrata e nem fúnebre.
Não quero catarse, nem sussurros e nem gritos.
Não quero que ela seja muito, demais, e nem que seja pouco, faltante.
Quero ela redonda, se renovando e se reinventando sem padrões ou estereótipos para a aprisionar.
Quero ela sem vergonha, saltitando pela minha língua assim como as travessuras que eu não me segurava para dizer, quando pequenino, e que de tão pequenino, nem poderia dizer. Aliás, onde se escondeu esse pequenino pequeno? Se apequenou em sua pequinês?
Um dia descubro.
Não a quero esculpida em Carrara, nem posada em um museu senil.
A quero transitante, transeunte na vida e no peito de todos àqueles que se atreverem a me fornecer um pouquinho do seu tempo para serem atravessados. A quero transitada por outros transeuntes, transmutada em significados mil.
A quero tão minha, quanto sua.
A quero poema, poesia e todos os nomes que já ganhou ao nascer e que ainda ganhará, antes que em algum futuro distópico, possa morrer.
Que a palavra morte morra, antes disso acontecer.
E que a vida renasça, dentro de você.


